Sonntag, 22. November 2015

eu devia sim dar um nome pra esse lugar, algo relacionado com comida, pois a única coisa que realmente me motiva a postar coisas aqui pelo visto é comida, como o que acabou de acontecer agora:

não tem sensação melhor na VIDA do que esquecer que você comprou um pedaço de Sachertorte e um pedaço de torta de baunilha; vc abre a geladeira pra pegar um iogurte pro café da manhã e tem DOIS LINDOS pedaços de torta pra comer <3


felicidade súbita

Samstag, 31. Oktober 2015

Alho da china?

Existem algumas coisas incompreensíveis. Como é que um alho vindo da china pode ser mais barato do que um alho orgânico plantado aqui na zona rural de Nuremberg? Primeiro questiona-se a qualidade e as circunstâncias sob as quais o alho foi cultivado, segundo percebe-se que valores do capitalismo irresponsável são absolutamente arbitrários... não dá mesmo.

Freitag, 30. Oktober 2015

Meus Deuses

Um dia, eu ainda vou passar mal de comer uma panela inteira de Risotto de camarão sozinho. Mas eu imploro aos céus, que não seja hoje!

Samstag, 24. Oktober 2015

Do cansaço acumulado

Sabe que achei que nem tinha ficado cansado com a história de não dormi, acordei super bem hoje. Mas agora tou aqui no cinema trabalhando e um cansaço fenomenal, costas destruídas, doendo muuuuuito! E amanhã ainda cantar 9h30 na missa as árias do Schütz e a cantata do Campras.. haja força!

Freitag, 23. Oktober 2015

Do melhor assento de ônibus do mundo.

Sim. Aconteceram tantas coisas essa semana que nem sei por onde começar.
Foi a primeira semana de aulas com o meu mentor aqui em nuremberg de novo, e já percebo que a coisa vai realmente ser muito boa esse ano. Desde que começamos a trabalhar decididos na minha voz como baixo-barítono, muitas coisas mudaram; por não precisar forçar um metal que não pertence naturalmente à minha voz, o meu timbre ganha uma qualidade mais nobre, sem contar ser muito mais confortável. E soa simplesmente melhor, é realmente o caminho certo.

Essa semana, tivemos então um Masterclass com um pianista, vocal coach italiano. Foi muito interessante, pensando em todos os meus receios de voltar à escola, os cultos aos egos e aos alunos, professores, capacidades (e incapacidades) em vez de o foco puro e simples na música, perceber que é possível. Ele me lembrou as poucas porém maravilhosas aulas que fiz na Itália com um pianista brasileiro (ironicamente) que lá estudava e tinha um conhecimento gigantesco da tradição de belcanto, estilística, entre outras coisas. Uma grande quantidade de conhecimento, o foco nas necessidades e exigências que a música tem perante a nós, e não o contrário. Tive a oportunidade de cantar duas árias do Figaro, Leporello, Conte, Puritani, Haendel.. Foi como uma brisa de ar fresco...

...muito ao contrário de eventos desagradabilíssimos como o encontro do departamento de canto, com figuras marcadas desfilando egos e dando carteiradas... alunos tentando fazer média, professores tentando impor discursos fora de hora, falta de gentileza e ironia barata só pra fazer porte. Não gosto de manipulação, não gosto de mentira e não gosto de arrogância. Às vezes me pergunto se talento musical é inversamente proporcional a talento pra ser um ser humano.

O visto foi ainda uma história a parte. Depois de tanta novela, fazerem a minha regente ir lá, se propor a me avalizar, a exporem, dizem que a antiga declaração familiar vale sim, e até o fim dos estudos. Apesar da situação delicada, não quero nem vou reclamar. Fico é mais tranquilo e aliviado de saber que isso está resolvido.

Também tive o primeiro ensaio do repertório solo da coisa da bolsa que recebi pra canto histórico, e realmente. Minha regente é um poço sem fundo de fantasia artística, e de conhecimento sobre estilos históricos, mantendo uma dose saudável e refrescante de espontaneidade e espaço pra experimentação. Foi delicioso, duas pequenas árias sacras de Schütz e uma cantata linda pra baixo de um compositor do barroco francês quase desconhecido, chamado Andre Campras. O primeiro concerto é domingo, depois dia 27.10 e depois dia 5.11. Animado!

E então, a epopéia. O octeto marcou um ensaio para o qual eu, depois da quinta-feira pesadíssima, teria que viajar as 5h45 da manhã. Ou seja, acordar as 5h, e viajar. Mas havia a festa de inauguração do semestre no bar da casa do estudante onde eu moro. Pessoas gritando e se divertindo de formas bestiais sem a menor noção de vida em sociedade conseguiram fazer com que eu não dormisse. Gritando no corredor. Sério? Pois ouvi sinfonias de CPE Bach, harmonias poéticas e religiosas de liszt, requiem de verdi, polonesas de chopin. NADA adiantou. O primeiro minuto de silêncio no prédio foi às 3h54. Não dormi. Vim direto pra Munique, ensaiei das 9h às 13h, almocei e tomei café com o Berthold. Eu sinceramente não sei se vou dar conta de conciliar o octeto com minha rotina em nuremberg... pesado.

Mas pelo menos, agora na viagem de volta, estou num ônibus com o banco msis confortável da minha vida. E é nele que vou dormir as próximas três horas, então tchau!

Montag, 19. Oktober 2015

Da hipernatremia.

Sinceramente, está ficando cada vez mais difícil comer fora; hoje fui ao pandawok. A última vez que tinha ido lá tive aquela dor de cabeça horrorosa. Hoje pedi um filé de peixe num molho de legumes. Pois me veio um prato fervente que queimou minha língua toda, com gosto de somente duas coisas: caldo knorr de carne e shoyu barato. Absolutamente unidimensional, salgado até o limite do impossível, se eu tiver uma convulsão hoje já sabemos que foi por hipernatremia. Sinceramente, não dá mais.

Ainda mais depois de ontem ter feito o risotto perfeito; um risotto simples, branco, com olivas. Perfeitamente equilibrado, o cremoso da manteiga regional + o tempero único que o grana padano dá ao prato, com arroz arborio, cozido sobre uma cama de cebolas suculentas com um caldo de legumes temperado com tomilho, pimentas e salsinha fresca; perfeitamente equilibrado. Nem pus sal no risotto pois o queijo e o caldo já faziam as vezes.

Agora aqui estou eu, com uma boca seca desidratada e uma língua queimada, praguejando a comida (des)temperada do panda wok. Ai meus sais, literalmente.

Freitag, 16. Oktober 2015

Das entrevistas, enxaquecas, photoshootings e volta às aulas

Talvez porque a pia desentupiu, porque as aulas com o professor Beselegante já passaram essa semana e nem foram tão traumatizantes assim, porque o zen me fez encarar certas coisas sobre a escola de frente, ou simplesmente porque meu humor melhorou um pouco, acho que estou contente de novo com relação a meus estudos e até olhando pro futuro com perspectivas mais positivas rs.

Não por menos no entanto, ontem tive uma enxaqueca daquelas que faz você ter vontade de vomitar, não conseguir olhar uma tela com luz ou ouvir uma única nota acima do dó4... pode ter sido porque eu comi salami e curry de frango, como se fosse de novo um carnívoro nato (preciso me reacostumar corporalmente e emocionalmente a comer carne, mas depois escrevo sobre isso), mas pode ter sido porque comecei o dia a dançar três horas inteiras bransles, galliardes e bourrées até praticamente as pernas caírem, e foi muito cansativo. Ainda hoje tem um rebotezinho ao fundo da dor de cabeça restante da enxaqueca... Genes da mamãe aparecendo com a idade, cada vez mais.

Mas o mais legal é que hoje fiz meu primeiro "photoshooting" e entrevista pra uma revista das irejas centrais luteranas (igreja é estranhamente vista e aceita como um tipo de negócio, engraçado como o espiritual na Alemanha tem dimensões bem físicas, sociais e financeiras... mas isso é outro tema pra outro post), sobre a bolsa que recebo agora do trabalho na são Egídio... Apesar do desconforto brutal pra fazer fotos "naturais", e de não saber falar em alemão pra um gravador rapidamente, acho que os resultados vão ser bons (até porque recebo por email a entrevista pra alterar o que quiser com calma antes da versão que vai pra revista).

É, esse foi o balanço da semana.




Montag, 12. Oktober 2015

Das segundas-feiras

Eu não sei por que, mas hoje está sendo um dia difícil. Acho que é porque era pra ser o primeiro dia de aula, e eu não tenho aulas pois não sei exatamente quais as matérias que faltam pra terminar. Ou porque minha melhor amiga tá enfrentando problemas tensos e a gente acaba se misturando um pouco com os amigos. Ou porque meu namorado está nesse exato momento tentando resolver suas questões burocráticas pra poder ficar em Portugal e a gente também se mistura com o namorado. Ou uma mistura de tudo isso, junto com o fato de que eu também ainda tenho que resolver meus problemas burocráticos, organizar meus estudos com a possibilidade de deixar um ou até possivelmente dois dias estratégicos "livres" pra poder ir pra Munique ensaiar, tendo que aprender músicas novas que, além de difícil tecnicamente, não me agradam do conteúdo teatro-musical, tendo que me organizar pra um masterclass com um pianista italiano na semana que vem, que nem sequer me lembrava que teria, cantando peças que nem escolhi ainda.

Olha, tá bem difícil hoje.
E o que a gente faz quando está difícil? Faxina na casa. Pra dar aquela sensação de que estou de fato fazendo algo de "significante" no meu primeiro dia do ano letivo. A pia continua entupida.

Sonntag, 11. Oktober 2015

Das obstruções hídricas

Ter que tomar água da pia do banheiro enquanto o Diabo Verde age na pia da cozinha há horas (e não, isso não é uma prática de feitiçaria) é simplesmente pra acabar..

Espero que não morra dormindo sufocado por gases tóxicos que possam eventualmente sair do ralo enquanto a janela esta fechada pra não congelar o quarto com os quatro graus centígrados do lado de fora.

Boa noite e possivelmente, até amanhã.

Dos produtos comprados na pindaíba

Sabe quando você não tem mais dinheiro? Sabe quando você gastou tudo o que tinha numa viagem maravilhosa de férias que fez com o namorado em Portugal como se não houvesse amanhã, e de repente houve amanhã? E no amanhã o cachê ainda não caiu, a bolsa ainda não caiu, o salário ainda não caiu, nada caiu. Você é potencialmente rico, e inevitavelmente pobre por uns dias.

Pois é, nessa situação me encontrava há duas semanas atrás, época que você corre atrás dos Discounters pra comprar as coisas. (Discounters são redes de mercados pequenos que oferecem poucas marcas, limpeza questionável, atendimento vago e alguns produtos de qualidade duvidosa pra custear o preço das coisas. Tem produtos bons também, os queijos do Norma são realmente deliciosos, parmiggiano-reggiano de origem controlada e tudo. Azeite grego de primeira.)

Foi numa dessas que resolvi fazer uma visita ao Aldi, pra comprar um sabonete líquido pra banho. Não é que ele seja ruim, mas agora tenho semanas pela frente (o vidro nunca acaba) tomando banho com um sabonete  marca X, mais precisamente "Oombia - pure nature" que tem um perfume esquisitíssimo de feijão preto cozido. Saudade do Nivea pérolas de óleo com perfume de flores jasmim-manga...

Samstag, 10. Oktober 2015

Das comidas de imbisses asiáticos

Nesse meio tempo na Alemanha, eu definitivamente desenvolvi uma obsessão por comida asiática. Restaurantes bons, ruins, fiz a promessa pra mim mesmo de conhecer todos os restaurantes asiáticos de Nuremberg.
Mas por causa do masterchef brasil e da Paola Carosella, também desenvolvi nos últimos meses uma obsessão por culinária. (Não digo gastronomia porque minha pira é culinária, culinária é uma palavra que me evoca pessoas em casa cozinhando o almoço ou jantar na cozinha apertada de casa, pra família, namorado, mim mesmo, e não "gastronomia", gastronomia me evoca grandes restaurantes esterilizados - minha casa é tudo menos esterilizada -, chefes de cozinha gritando impropérios pra jovens lavadores de louça e tudo aquilo que eu vivencio eventualmente no meu trabalho na Trattoria. Ah sim, eu sou garçom de fds num restaurante italiano num complexo de cinema aqui pra completar a renda. Estudantes de arte......)
E como neo-obcecado com culinária, comecei a comprar comida orgânica e cozinhar muito em casa. E isso mudou um pouco minha maneira de sentir o sabor das coisas. Por isso, hoje reconheço a textura gelatinosa de pectina adicionada ao iogurte, ou quando um molho de restaurante asiático tem gosto basicamente de ajinomoto e knorr, em vez de gengibre, manjericão tailandês e semente de coentro. O que é uma pena, porque eu adorava o asia town, restaurante ao qual eu fui hoje e, apesar do cozimento perfeito dos vegetais, frustrou-me com seu molho com gosto de miojo-sabor-carne...
Mas ainda resta o horapa thai e o red curry house. E adiante nas buscas!

Das Baterias Inauguratórias

Tem momentos na vida, que tudo que precisamos é de um dia inteiro de pijama. Sem ver pessoas, sem sair do seu quadrado. Como a bateria do celular ou do carregador, que inevitavelmente em algum momento precisa ser esvaziada até o fim e recarregada até o máximo. Pra realinhá-la.

Esgotei. Visto, permanência, ensaios, burocracias, visto do namorado, frustrações, volta das aulas, chegada do meu quarto outono europeu e com ele a quarta escuridão, e a primeira má-vontade real de passar por isso.


Talvez seja o efeito da nossa sociedade pós moderna, das harmonias tonais ou da ópera no meu sangue, mas pra mim, é legal se a vida corre como um filme, ou um seriado de tevê - vamos dizer como uma forma sonata, pra fazer jus ao meu ofício: alguns temas, contrastantes, que dialogam entre si e formam a personalidade da sua sonata, um desenvolvimento com momentos de conflitos harmônicos, verdadeiros sofrimentos dignos de tonalidades ambíguas, possivelmente até mais de um clímax. Mas sabemos que uma hora as coisas se resolvem e ficam bem, e terminam com a tônica ou uma variação agradável dela. O que eu não quero, é que tipo, a minha vida seja aquela série ruim que a temporada não foi renovada porque simplesmente não deu liga, não tinha muita graça. A sonata abortada que o desenvolvimento ficou curto demais e o tema surgiu antes da hora.

A velha vontade atávica da nossa identidade física temporária de ter alguma importância rs.