Tem momentos na vida, que tudo que precisamos é de um dia inteiro de
pijama. Sem ver pessoas, sem sair do seu quadrado. Como a bateria do
celular ou do carregador, que inevitavelmente em algum momento precisa
ser esvaziada até o fim e recarregada até o máximo. Pra realinhá-la.
Esgotei.
Visto, permanência, ensaios, burocracias, visto do namorado,
frustrações, volta das aulas, chegada do meu quarto outono europeu e com
ele a quarta escuridão, e a primeira má-vontade real de passar por
isso.
Talvez seja o efeito da nossa
sociedade pós moderna, das harmonias tonais ou da ópera no meu sangue,
mas pra mim, é legal se a vida corre como um filme, ou um seriado de
tevê - vamos dizer como uma forma sonata, pra fazer jus ao meu ofício:
alguns temas, contrastantes, que dialogam entre si e formam a
personalidade da sua sonata, um desenvolvimento com momentos de
conflitos harmônicos, verdadeiros sofrimentos dignos de tonalidades
ambíguas, possivelmente até mais de um clímax. Mas sabemos que uma hora
as coisas se resolvem e ficam bem, e terminam com a tônica ou uma
variação agradável dela. O que eu não quero, é que tipo, a minha vida
seja aquela série ruim que a temporada não foi renovada porque
simplesmente não deu liga, não tinha muita graça. A sonata abortada que o
desenvolvimento ficou curto demais e o tema surgiu antes da hora.
A velha vontade atávica da nossa identidade física temporária de ter alguma importância rs.
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