Sim. Aconteceram tantas coisas essa semana que nem sei por onde começar.
Foi a primeira semana de aulas com o meu mentor aqui em nuremberg de novo, e já percebo que a coisa vai realmente ser muito boa esse ano. Desde que começamos a trabalhar decididos na minha voz como baixo-barítono, muitas coisas mudaram; por não precisar forçar um metal que não pertence naturalmente à minha voz, o meu timbre ganha uma qualidade mais nobre, sem contar ser muito mais confortável. E soa simplesmente melhor, é realmente o caminho certo.
Essa semana, tivemos então um Masterclass com um pianista, vocal coach italiano. Foi muito interessante, pensando em todos os meus receios de voltar à escola, os cultos aos egos e aos alunos, professores, capacidades (e incapacidades) em vez de o foco puro e simples na música, perceber que é possível. Ele me lembrou as poucas porém maravilhosas aulas que fiz na Itália com um pianista brasileiro (ironicamente) que lá estudava e tinha um conhecimento gigantesco da tradição de belcanto, estilística, entre outras coisas. Uma grande quantidade de conhecimento, o foco nas necessidades e exigências que a música tem perante a nós, e não o contrário. Tive a oportunidade de cantar duas árias do Figaro, Leporello, Conte, Puritani, Haendel.. Foi como uma brisa de ar fresco...
...muito ao contrário de eventos desagradabilíssimos como o encontro do departamento de canto, com figuras marcadas desfilando egos e dando carteiradas... alunos tentando fazer média, professores tentando impor discursos fora de hora, falta de gentileza e ironia barata só pra fazer porte. Não gosto de manipulação, não gosto de mentira e não gosto de arrogância. Às vezes me pergunto se talento musical é inversamente proporcional a talento pra ser um ser humano.
O visto foi ainda uma história a parte. Depois de tanta novela, fazerem a minha regente ir lá, se propor a me avalizar, a exporem, dizem que a antiga declaração familiar vale sim, e até o fim dos estudos. Apesar da situação delicada, não quero nem vou reclamar. Fico é mais tranquilo e aliviado de saber que isso está resolvido.
Também tive o primeiro ensaio do repertório solo da coisa da bolsa que recebi pra canto histórico, e realmente. Minha regente é um poço sem fundo de fantasia artística, e de conhecimento sobre estilos históricos, mantendo uma dose saudável e refrescante de espontaneidade e espaço pra experimentação. Foi delicioso, duas pequenas árias sacras de Schütz e uma cantata linda pra baixo de um compositor do barroco francês quase desconhecido, chamado Andre Campras. O primeiro concerto é domingo, depois dia 27.10 e depois dia 5.11. Animado!
E então, a epopéia. O octeto marcou um ensaio para o qual eu, depois da quinta-feira pesadíssima, teria que viajar as 5h45 da manhã. Ou seja, acordar as 5h, e viajar. Mas havia a festa de inauguração do semestre no bar da casa do estudante onde eu moro. Pessoas gritando e se divertindo de formas bestiais sem a menor noção de vida em sociedade conseguiram fazer com que eu não dormisse. Gritando no corredor. Sério? Pois ouvi sinfonias de CPE Bach, harmonias poéticas e religiosas de liszt, requiem de verdi, polonesas de chopin. NADA adiantou. O primeiro minuto de silêncio no prédio foi às 3h54. Não dormi. Vim direto pra Munique, ensaiei das 9h às 13h, almocei e tomei café com o Berthold. Eu sinceramente não sei se vou dar conta de conciliar o octeto com minha rotina em nuremberg... pesado.
Mas pelo menos, agora na viagem de volta, estou num ônibus com o banco msis confortável da minha vida. E é nele que vou dormir as próximas três horas, então tchau!
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